Na emissora RTP, filósofo Fabiano de Abreu debate com membro do Partido dos Trabalhadores brasileiro, que alega que Lula é injustiçado
Em debate na RTP3 o filósofo debate sobre o tema da tragédia do Museu Nacional no Rio de Janeiro que ardeu, e continha grande acervo Português. Membro do Partido dos Trabalhadores brasileiro presente procura capitalizar sobre o ocorrido, em um viés político.
Em debate na RTP3 o filósofo debate sobre o tema da tragédia do Museu Nacional no Rio de Janeiro que ardeu, e continha grande acervo Português. Membro do Partido dos Trabalhadores brasileiro presente procura capitalizar sobre o ocorrido, em um viés político.

Créditos do fotógrafo MF Press Global

Hebert Neri Por Hebert Neri 05/09/2018
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O filósofo e pesquisador político luso-brasileiro Fabiano de Abreu foi convidado pela emissora RTP3, de Portugal, para falar sobre o incêndio que destruiu o Museu Nacional no Rio de Janeiro no último domingo, 2. O programa também convidou Eduardo Filipe "Sama", artista visual e ativista do Partido dos Trabalhadores (PT), que vive cá em Portugal.
 

Fabiano de Abreu disse que o problema vem de diversas gestões de governo, não apenas a gestão atual, e o petista (membro do Partido dos Trabalhadores) culpou o presidente Michel Temer. O facto é que não houve imparcialidade e nem debate sobre o Museu Nacional, e sim debate político por parte do outro convidado.

 
"Tenho falado bastante com alguns pesquisadores do Museu Nacional há anos, devido às questões históricas e de filosofia que trato com eles. Os mesmos tem reclamado do desleixo, que existe desde muito tempo com o museu, e hoje estão a vincular muito o ocorrido com a questão política, do governo atual. Mas é preciso lembrarmo-nos de que este problema está a acontecer desde a gestão de Lula e Dilma, ambos eleitos pelo PT, e agora do presidente Michel Temer, do partido PMDB. Ou seja, estamos a falar de várias figuras políticas oriundas de partidos diferentes, que não tiveram olhos para o Museu Nacional. E hoje sofremos essa perda, pois para nós da colônia portuguesa que estamos a viver aqui no Brasil, este era um pedaço de Portugal que dava-nos orgulho, mas que terá sido perdido. A obra 'Os Lusíadas', de Camões, os manuscritos da bíblia em grego, e outros itens irrecuperáveis. Você pode recuperar as estruturas, mas não poderá recuperar o acervo que lá estava", lamentou o filósofo e pesquisador político luso-brasileiro Fabiano de Abreu.
 
Fabiano lembrou-se de outros casos de incêndios, como no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1978), Arquivo Público do Estado de São Paulo (2012), Memorial da América Latina (2013), Centro Cultural Liceu de Artes e Ofícios (2014), Museu da Língua Portuguesa (2015), Cinemateca (2016) e a casa Erbo Stenzel, residência histórica do escultor paranaense, em Curitiba (2017): "Ou seja, já é cultural esse desleixo. Já faz parte de um histórico esta falta de preservação do legado brasileiro e sua herança portuguesa. É possivel ver no centro da cidade do Rio e de São Paulo monumentos históricos, muitos vindos de Portugal, que não tem o cuidado e manutenção que deveriam ter. O triste é que, quando faz-se um balanço do dinheiro que é gasto no Brasil com política em termos eleitorais e na questão jurídica, dá-se conta do desperdício. O Brasil é o país que tem os políticos mais caros do mundo. E para preservar a história, o dinheiro não é gasto. Não adianta os partidos políticos culparem uns aos outros, pois tivemos vários partidos políticos responsáveis por esse acontecimento. A sensação é que são vários os culpados daquilo que aconteceu no Museu Nacional, não apenas um reflexo dessa política atual do governo Temer".
 
O filósofo segue: "Esse problema está a acontecer há muito tempo. Desde a era Lula os museus não tinham o reconhecimento necessário. Ou seja, precisamos ser imparciais. Eu, por exemplo, voto em Portugal. Nessa questão política, o que temos que saber é que existe não apenas o Museu Nacional, mas também outros monumentos que precisamos preservar. Eu tenho o livro 'Viver Pode Não Ser Tão Ruim' na Biblioteca Nacional e temo que o local também corra risco. Então acho que isso que aconteceu precisa ser utilizado para outros patrimônios históricos e tentar recuperar o máximo do que foi perdido. Não podemos abordar a questão política e sim histórica. Um pedaço de Portugal foi perdido no Rio de Janeiro e no Brasil", completou o luso-brasileiro.
 
 

A perguntar se Luiz Inácio Lula da Silva deveria concorrer à presidência nas eleições deste ano, Fabiano de Abreu foi enfático: "Essa questão política é muito séria e é muito difícil para mim discutir, pois sou bem neutro nesse sentido. Acho que se existe uma lei que se chama Ficha Limpa, logo se o Lula burlar essa lei para poder candidatar-se, já não há como acreditar em um presidente que possa fazer isso. A lei precisa ser cumprida. Condenados em segunda instância enquadram-se na lei da Ficha Limpa, o que impede que alguém que tem essas condenações possa eleger-se ou concorrer em um pleito. Acho que precisa dar um espaço para tentar melhorar porque a realidade é que estamos a enfrentar um problema de crise e não é só o Temer é o culpado, pois isso já vem antes dele. Começou desde a Dilma, que veio depois do Lula. Então é uma questão bem óbvia: tem-se uma crise, e ela veio do partido do Lula, do PT, e então isso também veio do Lula. Acho que o melhor para o Brasil é o Lula não ser candidato".

 
Após o programa, Fabiano manifestou-se em rede social, depois que alguns internautas comentarem sobre a questão política adotada pelo outro convidado: 
 
"Eu estou para falar do museu, eu voto em Portugal e não no Brasil, sou também pesquisador político e não estou aqui para discutir opinião partidária. A meu ver, com olhos de neutralidade, Lula tem uma condenação e não é Filha Limpa, logo, não pode se candidatar. A opinião de fanáticos não pode estar acima da lei pois, contra provas não há argumento. Quem resolve as questões da lei é a justiça e essa condena, de resto, é tudo papo furado." Concluiu.
 
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